
Foco nunca foi meu forte. Entre o trabalho, os interesses variados — direito, história, escrita, filosofia, programação — e as mil pequenas urgências do dia, é fácil terminar a semana tendo avançado um pouco em tudo e nada em especial. Foi pensando nisso que lembrei de uma história que circula bastante em textos sobre produtividade: a chamada “regra 5/25”, atribuída a Warren Buffett.
Vale uma ressalva importante antes de explicar a regra: essa história — de que Buffett teria ensinado o método ao seu piloto pessoal, Mike Flint — não tem confirmação de fonte primária. Segundo apurações de veículos como Inc. e outros sites que investigaram a origem do relato, a história parece ter circulado pela primeira vez em um blog de Scott Dinsmore, que disse tê-la ouvido de “alguém próximo a um dos pilotos de Buffett”, um relato de segunda mão, sem registro de que o próprio Buffett a tenha confirmado. Ou seja: é uma regra atribuída a Buffett, não uma regra documentadamente dele.
Ainda assim, independentemente de quem a tenha originado, é uma ferramenta de priorização interessante por si só.
A regra 5/25, em resumo
A ideia por trás da regra é simples:
- Você lista as 25 coisas que mais quer alcançar ou priorizar (metas profissionais, projetos, hábitos, o que for).
- Dessas 25, você circula as 5 mais importantes (Lista de foco ou prioridades).
- As outras 20, viram sua “lista para evitar a todo custo”. Tudo aquilo que rouba tempo e atenção das suas 5 prioridades, mesmo parecendo valioso.
A ideia é que você tenha apenas 5 coisas para manter o foco. As outras 20, mesmo sendo oportunidades reais, competem pela sua atenção, e se você tenta abraçar as 25 ao mesmo tempo, nenhuma delas avança de verdade. O foco se dilui entre tudo e nada sai do papel direito.
Por que transformar isso em jogo
Ler sobre a regra é uma coisa. Aplicá-la todo santo dia é outra bem diferente. Eu queria um mecanismo que desse feedback imediato sobre meu comportamento, e que tornasse visível, dia após dia, se eu estava de fato me aproximando dos meus objetivos ou só repetindo o discurso de intenção. Gamificar com pontos é uma forma de criar esse retorno rápido e palpável.
Para colocar o jogo em prática, você pode usar um aplicativo simples de notas, uma planilha digital ou o bom e velho papel. No meu caso, preferi criar e rodar esse sistema em um caderno físico. Manter o jogo no papel foi uma escolha deliberada para me desconectar um pouco e proteger meu foco longe das telas e, de quebra, a escrita manual ainda me ajuda a cumprir uma das cinco metas que propus para mim mesma: melhorar a minha caligrafia.

🎲 As regras do jogo
Fase 1 — Montagem das listas:
- Liste as suas 25 prioridades.
- Selecione as 5 mais importantes. Elas formam a sua Lista de Foco.
- As outras 20 ficam registradas como Lista de Evitar a Todo Custo.
A Lista de Evitar não inclui emergências, deveres familiares, trabalho obrigatório ou imprevistos. Ela é formada apenas por objetivos que você escolheu adiar para proteger suas cinco prioridades, não pelas urgências da vida real, que não são distrações, são a vida acontecendo.

Fase 2— Agendamento:
Cada um dos 5 itens da Lista de Foco deve ser distribuído na sua rotina, seja marcando os dias em uma folha de papel, em uma planilha ou no seu calendário digital. Eles entram na sua programação conforme a frequência que você definir para cada um (diário, algumas vezes por semana etc.).

Fase 3— Jogo diário:
Todos os dias, você marca o que efetivamente fez. A pontuação segue quatro cenários:
- Item da Lista de Foco estava agendado para hoje e você o cumpriu: +1 ponto.
- Item da Lista de Foco estava agendado para hoje e você não o cumpriu: -1 ponto.
- Item da Lista de Foco não estava agendado para hoje (não fazê-lo, então, não é uma falha): 0 pontos, neutro.
- Você fez algo da Lista de Evitar a Todo Custo (um dos 20 descartados): -2 pontos.
Note que a penalidade de -2 é reservada especificamente para os itens da Lista de Evitar, não para qualquer atividade neutra do dia a dia (tomar banho, almoçar, resolver uma urgência do trabalho). O jogo só pontua o que está dentro do universo dos 25 itens que você definiu. Isso reforça, de propósito, o peso que os 20 descartados devem ter na sua atenção: eles não são “só outra coisa que você não fez”, são a lista do que custa caro fazer.
A pontuação é sempre diária, ou seja, ao final de cada dia, os pontos daquele dia são contabilizados e o placar reinicia do zero no dia seguinte. Não existe acúmulo negativo de um dia para o outro, um dia ruim não compromete o dia seguinte. Assim como a vitória do dia (Fase 4), a pontuação não carrega arrependimentos de ontem para hoje.
🚫 Exceção Legítima
Existe um quinto cenário, fora da pontuação normal: se uma tarefa da Lista de Foco deixar de ser realizada, ou um item da Lista de Evitar precisar ser feito por um motivo realmente excepcional — uma emergência, uma obrigação profissional inadiável, ou uma decisão consciente de mudar de prioridade temporariamente — o jogador pode marcar esse evento como Exceção Legítima. Nesse caso, a ação não gera pontos, nem positivos nem negativos (0).
A Exceção Legítima existe para que o jogo não puna o que está genuinamente fora do controle de quem joga, nem transforme uma decisão consciente de prioridade em fracasso. Ela deve ser usada com honestidade: não como válvula de escape para qualquer tarefa não cumprida, mas para os casos em que a vida real de fato se impôs.

Fase 4— A vitória do dia:
Se você cumprir todas as tarefas da Lista de Foco que estavam agendadas para aquele dia, ganha um símbolo de vitória ao final do dia — um pequeno reconhecimento visual de “dia cumprido” (sugestão de símbolo: uma Estrela do Dia ⭐, mas fique à vontade para trocar por outro que combine mais com você — um troféu, um selo, uma medalha).
Essa vitória não se acumula em sequência nem vira meta de “não quebrar a corrente”: no dia seguinte, tudo recomeça do zero. A ideia é celebrar o dia por si só, sem criar a pressão extra de manter uma sequência.

📊 A lógica por trás dos números
A escolha de penalizar mais a distração (-2) do que a tarefa não cumprida dentro do plano (-1) é proposital. Ela espelha o próprio espírito da regra 5/25: o que mais compromete o foco não é deixar de fazer uma tarefa planejada, é gastar energia com o que está na Lista de Evitar. Dizer “não” às 20 coisas importa mais do que fazer perfeitamente as 5.

No fim das contas, o Jogo 5/25 não serve para criar uma rotina rígida ou alcançar uma perfeição irreal, mas para manter o nosso mapa de navegação visível. Por isso, a revisão das listas é livre: de tempos em tempos, vale a pena olhar para os seus 5 escolhidos e avaliar se eles ainda são as prioridades certas. Sem datas marcadas ou obrigações, fica a critério de quem joga decidir quando recalibrar a rota, mantendo a flexibilidade que a vida real exige.
📥 Baixe os Materiais do Jogo 5/25
Para colocar o método em prática, faça o download gratuito das ferramentas oficiais:
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